
Todos estamos lembrados que há muitos muitos anos, numa galáxia
far far away, cinco Mestres na arte de acariciar o esférico cirandaram pelos relvados de
Stromp com o intuito de levar o seu
Sporting Clube de Portugal à efémera glória. Glória essa que foi fulminada anos mais tarde por Missé-Missé e outros artistas.
Mas deixemo-nos de devaneios. Esses cinco artesãos do bem jogar nunca foram substituidos no coração dos doentes da bola, cansados que estavam de sofrer coronárias nesses anos oitenta com as carapinhas de
João Pinto e Rui Barros e o bigode de
Veloso.
Até aos anos noventa. Contra todas as expectativas, porém, foi na agremiação
sportiva mais representativa de Barcelos que o mito ressurgiu, ao invés do Estrela da Amadora com Abel Xavier e Calado.
As quatro rabecas de
Barcelos vieram substituir os cinco violinos de
Lisboa de forma tão eficiente quanto
Miguel Castro (vulgo Mielcarski) substituia Jardel ou Domingos no final das contendas mais acesas.
A fúria incontida de
Nogueira, os lábios pretos de
Mangonga, os olhos cerrados de
Camberra e a ironia cilíndrica de
Armando fizeram história na bola Lusitana.
Camberra era para muitos o líder das tropas, uma espécie de Yoda, que ensinava de olhos fechados aos seus pupilos a arte de entrar em sintonia com o Lado Bom da Força.
O seu pupilo predilecto era o jovem e pujante
Mangonga que, elegante como um negro corcel, serpenteava o seu caminho por entre as defesas mais emperdernidas com a subtileza dum Azar Karadas numa grande área desprotegida.
Cavalgando ao seu lado estava o nobre e leal
Nogueira, imponente como uma nogueira e imperial como uma cerveja em Lisboa.
De resto, todos eles sempre apoiados pelo vértice rebelde deste Triângulo de Isósteles, que era nem mais nem menos do que o sempre bem disposto
Armando, uma espécie de Frei Tuck (o verdadeiro também lá estava) bronzeado, dando apoio ao seu Robin Hood Barcelense Camberra, que com as três flechas na mão, as enviava volta e meia ao seu alvo de preferência:
As indefesas redes adversárias. Assim se tocava boa música. Salvé Paco Bandeira.